Lendo o texto do Daniel Moraes, aqui mesmo no Falando de condomínio, cujo link deixo ao final deste texto e recomendo a leitura por se tratar de uma abordagem muito interessante, no sentido de buscarmos uma forma diferente de trazer a atenção dos moradores e proprietários para o condomínio, me senti motivado a abordar uma outra questão da comunicação condominial, muito latente e que traz uma dor de cabeça sem fim para todos os envolvidos. Os populares, indispensáveis e extremamente úteis trocadores de mensagens, como o mais famoso deles entre nós brasileiros, o “Whatsapp”. Fonte de discórdia em nível governamental, os aplicativos de troca de mensagens demonstram que não perdem sua força e vão se manter firmes, intactos, pelos próximos anos.
É importante lembrar que as mensagens curtas, SMS, estão vivas até hoje e são muito utilizadas por todos. O telegrama era uma ferramenta rápida e foi muito utilizado até pouco tempo. Assim, não é difícil pressupor que o ser humano, desde sempre buscou se comunicar de forma rápida, através de texto ou de imagens. Vide as pinturas rupestres... rsrsrs
Pois bem, eis que temos entre nós uma forma de comunicação rápida, onde podemos escrever de qualquer forma, usar imagens (fotos, “emojis”, “memes”), vídeos, áudios e uma infinidade de recursos que facilitam a nossa necessidade de nos comunicarmos, de forma rápida e simples.
Estes mesmos aplicativos nos possibilitam criar grupos, com interesses comuns e neles participar, em alguns casos, respeitando um código de postura que limita os temas, o uso de expressões e a abordagem realizada. O problema é que a grande maioria dos grupos criados e a partir daqui, pretendo abordar especificamente os grupos criados em condomínios, tem como finalidade criar uma espécie de tribuna livre para propagação de problemas e reclamações. São raras as manifestações de apoio a determinadas realizações e uma infindável lamúria que traz uma sensação de que tudo está errado no condomínio.
Sentindo-se prejudicados em alguma circunstância, os moradores começam a despejar comentários e sacrificar, muitas vezes sem perceber, a própria qualidade de vida no empreendimento. Não raro, pessoas que, apesar de morar no mesmo empreendimento, começam a compartilhar sentimentos, como se todos estivessem diante de uma mesma situação negativa. Uma reclamação que não afetou ninguém vira um problema incontornável para alguns. Não raras as situações, em que nomes de funcionários ou de empresas são colocados como a fonte de um problema e a partir daí, como se fazia na idade média, partimos para o sacrifício público, achincalhando e apedrejando alguém, como se a solução de todos os problemas fosse o desligamento, rescisão de contrato, destituição, enfim, uma pena capital moderna e enganosamente, mais civilizada.
Por conta disto, sugiro aos colegas administradores, síndicos, enfim, gestores de condomínios, que se utilizem destas ferramentas de uma forma realmente mais organizada e neste sentido elenco abaixo algumas pequenas e particularmente experimentadas soluções:
- Mesmo que seu condomínio possua um grupo de WhatsApp, você deve se manter fora dele. Costumo deixar claro, como defesa desta tese, que se o grupo foi criado para interagir de forma livre, sua inclusão nele pode limitar esta liberdade.
- Deixe um número celular disponível (se você é síndico morador, compre um celular pelo condomínio e o disponibilize para contatos);
- Combine um horário de atendimento que atenda as expectativas do condomínio, mas também a sua disponibilidade em atender de forma efetiva;
- A partir deste horário ajustado, seja respeitoso e nunca retorne ou mande mensagens fora do período combinado, obviamente excetuadas situações realmente de urgência, para as quais também costumo recomendar que o mais correto seja de fato priorizar telefones dedicados a atender situações como essa, tais como bombeiros, serviço de atendimento médico, polícia, etc.
- Organizados os itens anteriores, crie uma lista de transmissão (esta é uma ferramenta disponível nos aplicativos, através da qual todos os contatos relacionados receberão, mediante uma única ação, mensagens coletivas, entretanto, a recepção e a resposta serão individualizadas).
- Uma dica importante é que você deve sensibilizar as pessoas que, para receberem suas mensagens nesta lista de transmissão, o seu número deverá ser armazenado na agenda de contatos do celular dos moradores e proprietários, salvo contrário, não receberão suas mensagens.
- Feito isto, organize, de forma recorrente e orientada postagens frequentes do condomínio. Desde mensagens sobre os serviços realizados, da limpeza do condomínio, de manutenções corriqueiras até mensagens de estímulo ao uso, como num dia de chuva, demonstrar que os espaços cobertos estão limpos e a disposição para quem desejar uma atividade “indoor” ou num belo dia de sol, uma foto destacando a vegetação do jardim ou a limpeza da piscina.
Link para a matéria do Daniel Moraes sobre gamificação. Texto excelente!
https://falandodecondominio.com.br/ja-pensou-o-que-a-gamificacao-poderia-fazer-em-seu-condominio
Importante frisar que de nada adianta apenas comunicação, sem um belo trabalho de organização do condomínio, desenvolvendo seus fornecedores, colaboradores e planejamento de trabalho, mas isso podemos falar noutros artigos.
Espero ter ajudado e boa sorte na sua comunicação!! Até mais!!
Marcos Ribeiro